5. GERAL 17.4.13

1. GENTE
2. ESPORTE  CAMPEO DE DVIDAS
3. VIDA DIGITAL  ESTO RINDO  TOA
4. PERFIL  MODA SHOW DE BOLA
5. CELULAR  O 4G PASSOU NO TESTE
6. CIDADES  PARADA NO TEMPO
7. CULTURA  GUARDIO DA BRASILIDADE NA AMRICA
8. GUSTAVO IOSCHPE  DIRETOR DE ESCOLA: O PROTAGONISTA ESQUECIDO

1. GENTE
JULIANA LINHARES. Com Alvaro Leme, Mariana Amaro e Marlia Leoni

ABUSADAS
Na busca de talentos do funk em favelas cariocas para um quadro de seu programa de TV, SABRINA SATO subiu o Complexo do Alemo e esbarrou com uma verso, por assim dizer, amplificada de si mesma. Era a cantora MAYSA ABUSADA, 24, cujos sucessos de nome publicvel so No Dependo de Homem e Casa dos Machos. Nascida Maysa Hoche, a funkeira deve o apelido a uma combinao de atitude ("sempre fui esquentada") e roupas provocantes. A altura, 1,60 metro,  a nica de suas medidas que pode ser chamada de modesta. De resto, so 67 centmetros de coxa e 119 de quadris  favorecidos pela contribuio de superlativos 1160 mililitros de silicone nas ndegas (outros 800 mililitros inflam os seios). E o que tanta abundncia achou do corpo de Sabrina? "Tudo adequado", diz Maysa. diplomtica. "Mas comigo s tem aumentativo."

O OSCAR DESCONHECIDO DE JANE
JANE FONDA, e ela  a primeira a reconhecer, j fez algumas grossas bobagens na vida, o que inclui a escolha de alguns maridos e a foto famosa em que aparece de capacete montada em um canho do Vietn do Norte ("esse povo que tem o poder nas mos"), em 1972. Mas, entre os acertos da atriz, um s ficou conhecido agora. MARY WILLIAMS, 45  que na infncia viu o pai ser preso, a me virar alcolatra e uma irm, prostituta , conta em seu livro que teve a vida transformada quando passou a frequentar um acampamento de jovens bancado por Jane. Ela e a atriz se afeioaram e Jane decidiu adot-la. Mary formou-se em histria afro-americana, faz trabalhos humanitrios e diz sobre a me adotiva: " a pessoa que mais amo no mundo.

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Em seu ltimo show, RIHANNA interrompeu uma sequncia de caras, bocas e poses safadinhas para gritar  plateia: "Quantos aqui odeiam o amor?"  e, em seguida, declarar, toda sofrimento e desiluso: "Eu sou desse grupo". Para quem ainda tem pacincia de acompanhar o caso: Rihanna, que at recentemente estava separada do cantor Chris Brown, de quem tomou vrios e violentos sopapos em 2009, reatou com ele no ano passado. Desde ento, tudo parecia ser s love, at que, na semana passada, ele se engraou com uma loira numa boate e ela jogou charme para um forto num jogo de basquete. O resultado foi mais uma briga feia. Rihanna odeia o amor. Mas tem um fraco por um barraco.

MISTURA FINA
A ideia era que ela tivesse um nome indgena  ou que pelo menos ele soasse assim. Mas, na hora do registro, o pai, de origem japonesa, resolveu caprichar e Iana virou Yanna  mais recentemente YANNA LAVIGNE (para fins artsticos, ela substituiu o Inagaki do pai pelo sobrenome da me, baiana e, vejam s, parente distante de Jorge Amado). A turca Tamar, de Salve Jorge,  o primeiro papel de destaque de Yanna na TV desde que ela voltou do Japo, pas para onde se mudou adolescente e do qual retornou h quatro anos. L, trabalhou como modelo e at ganhou um concurso de miss. "Eu me inscrevi de olho nos prmios prometidos: jias, viagens, dinheiro. Ganhei a disputa, mas ningum me deu prmio algum."

50 ANOS E FIRME NA BALADA
MARC JACOBS escolheu o Rio de Janeiro para comemorar seu aniversrio de 50 anos. Ao lado do namorado, o brasileiro HARRY LOUIS, 26, ex-ator de filmes s para adultos, o estilista namorou na praia (ladeado por solcitos seguranas que se encarregavam at de bater a areia de seus chinelos), jantou fora (ocasio em que foi vestido de pijama  u, ele costuma usar saia e vestido!) e ganhou festa organizada pela atriz Mariana Ximenes. "Conheci o Marc em Paris. Ele falou que gostava da Bebel Gilberto e, como ela  minha amiga, promovi o encontro dos dois", diz Mariana, que tambm chamou Reynaldo Gianecchini para a balada. "Ele  muito divertido", tuitou sobre o ator um encantado Harry.


2. ESPORTE  CAMPEO DE DVIDAS
Com um rombo de 750 milhes de reais, o Flamengo sofre os efeitos de dcadas de pssima administrao e total descontrole das finanas. A soluo: corrigir os desmandos, como fazem as empresas responsveis.
MALU GASPAR

     At recentemente, a equipe de atletas olmpicos do Flamengo no tinha patrocnio, no rendia um tosto aos cofres do clube e custava caro. Resultado: dava prejuzo de 14,5 milhes de reais por ano. O nadador Csar Cielo, sua maior estrela, ganhava 80.000 reais por ms e nem sequer treinava nas instalaes da Gvea. Com razo, alis. VEJA apurou que a piscina tem uma rachadura de 25 metros, que algum funcionrio tentou remendar com sacos plsticos e massa de vedao. Tanto a falta de estrutura para treinar quanto o desperdcio de atletas de primeira so produto de dcadas de administrao inepta, cuja conta final veio  luz na semana passada: superando as expectativas mais pessimistas, o Flamengo deve na praa 750,7 milhes de reais. O time com a maior torcida de futebol no Brasil  o campeo insupervel de dvidas. 
     Para chegar a esse valor, uma empresa de auditoria contratada pela nova diretoria do Flamengo  formada por empresrios experientes decididos a profissionalizar a gesto  passou trs meses desvendando a balbrdia no departamento financeiro. "O mais espantoso foi constatar o total descontrole das contas", diz o diretor financeiro, Paulo Dutra. "Faltavam nota fiscal, recibo, tudo." Sem registros confiveis, os auditores tiveram de ir a cerca de quarenta fontes variadas, entre elas credores, para obter as informaes necessrias. Uma amostra do descalabro: s no balano de 2011, apareciam listados 9 milhes de reais em "adiantamentos" no especificados. A ttica para encarar a escassez de dinheiro era no pagar  nem contas, nem salrios, sobretudo nem impostos. S ao Fisco o clube deve 394,8 milhes de reais, sendo 86,7 milhes acumulados na gesto da presidente anterior, a ex-nadadora Patrcia Amorim. No mandato dela, ocorreu o bizarro sumio de seis relgios com o escudo do clube avaliados em 45.000 reais cada um. Foram doados por uma empresa para ser leiloados ou sorteados. Eles estavam, surpresa, sob a custdia de conselheiros e dirigentes (a prpria presidente "guardou" dois), que depois, na maior cara de pau, devolveram os mimos. Patrcia tambm tomou emprstimos bancrios de 84 milhes de reais dando como garantia a receita da venda de direitos de transmisso de jogos, e assim comprometeu recursos at o fim de 2013. A manobra, conhecida como "pedalada", permitiu contratar  e no pagar  estrelas como Vgner Love e Ronaldinho Gacho, ambos j fora do time. "A regra era lanar mo de dinheiro destinado a outros fins para pagar a jogadores caros, na esperana de que l na frente aconteceria um milagre", diz o vice-presidente de finanas, Rodrigo Tostes. 
     Dvidas exorbitantes e m gesto no so exclusividade do Flamengo. Levantamento de 2011 (veja o quadro ao lado) calcula que os cinco clubes mais enforcados devem, juntos, acima de 2 bilhes de reais. "A m administrao do esporte no Brasil  um entrave que impede sua imprescindvel profissionalizao", afirma Ana Ligia Finamor, coordenadora do curso de gesto esportiva da Fundao Getulio Vargas. No precisaria ser assim. O aumento na renda dos brasileiros e a proximidade da Copa das Confederaes, em junho, e da Copa do Mundo, em 2014, ajudaram a elevar a receita dos dez maiores clubes a 3 bilhes de reais. Ganhar mais dinheiro, porm, no adianta.  preciso saber equilibrar a receita e a despesa. O Barcelona, por exemplo, smbolo de sucesso, fatura quase 500 milhes de euros por ano, o que minimiza confortavelmente sua imensa dvida de 300 milhes. 
     A nova diretoria do Flamengo, comandada pelo economista e diretor do BNDES Eduardo Bandeira de Mello, quer implantar uma administrao profissional ao estilo da adotada pela agremiao catal e outras similares. Decidiu cortar custos e funcionrios (150 at o momento, dos 800 que encontrou) e renegociar dvidas. Para economizar, tomou jogadores emprestados de outros times. Faltar aos treinos agora rende punio e h regras at para comemorar gols  tirar e levantar a camisa  proibido, porque esconde os patrocnios. Os jogadores tm metas e ganharo bnus quando elas forem alcanadas. O prprio clube receber um bnus dos patrocinadores por bom desempenho. No papel,  promissor. Fora dele, h muito a percorrer. O Flamengo foi eliminado do campeonato carioca e ainda no se destacou na Copa do Brasil. Os torcedores flamenguistas sonham com o momento em que a administrao saneada vai se traduzir no que realmente importa: gols e dinheiro.  

O RANKING DOS DEVEDORES (em reais)
1 Flamengo 750 milhes
2 Botafogo 564 milhes
3 Fluminense 405 milhes
4 Vasco 387 milhes
5 Atltico Mineiro 368 milhes
Fontes: Consultoria BDO e Ernst & Young


3. VIDA DIGITAL  ESTO RINDO  TOA
Criado para celulares, o joguinho dos pssaros enfezados  Angry Birds  tornou-se conhecido globalmente e  o primeiro de sua espcie a se desdobrar em centenas de produtos licenciados.
RENATA HONORATO

     A velocidade com que certos fenmenos digitais se alastram  uma fonte permanente de assombro. O caso do game Angry Birds, criado pela empresa finlandesa Rovio,  um dos exemplos mais marcantes. Desde dezembro de 2009, quando a primeira verso do jogo foi lanada para o iPhone, 1,7 bilho de downloads foram feitos. Para efeito de comparao, a Nintendo levou 32 anos para vender 283 milhes de unidades dos jogos  da srie Mrio, a mais bem-sucedida no segmento tradicional dos consoles. Algum dir que se pode baixar uma amostra do Angry Birds de graa e que o aplicativo completo custa menos de 1 dlar, ao passo que o preo de um game da Nintendo sempre foi dezenas de vezes maior. Mas isso no diminui o prodgio. O jogo dos pssaros sem asas e dos porquinhos verdes no se difundiu to rapidamente apenas porque  barato, mas porque fez uso inteligente de tecnologias e oportunidades  tambm elas novssimas , como as telas sensveis ao toque e a distribuio por lojas virtuais de "apps". E eis que um ingrediente vem se somar a essa histria de sucesso: no ltimo ano, a Rovio conseguiu associar seus personagens a centenas de produtos. Fez parceria com a produtora de cinema Lucasfilm para desenvolver uma verso do jogo calcada na lendria srie de  filmes Guerra nas Estrelas e tambm estampou seus passarinhos enfezados em cadernos, roupas, brinquedos, livros e desenhos animados (exibidos no Brasil pelo canal pago Gloob). Nunca uma desenvolvedora de jogos foi to bem-sucedida nos licenciamentos: em 2012, eles responderam por 45% do faturamento da Rovio. "Ns somos um exemplo de como os games esto se movendo para o centro da indstria do entretenimento", diz o principal responsvel pela estratgia de crescimento da empresa, o executivo Peter Vesterbacka, que visita o Brasil nesta semana e estampou no carto de visita o apelido de Mighty Eagle  ou guia Poderosa. 
     A Rovio  sucessora de uma empresa fundada em 2003 pelos primos Mikael e Niklas Hed, a Relude. Ambas produziram mais de cinquenta ttulos para marcas renomadas do mercado de games, como Electronic Arts, Namco e Real Networks. Em meados de 2008, contudo, o negcio, que j atendia pelo nome Rovio havia trs anos, estava  beira da falncia. Os donos fizeram ento uma ltima aposta: um jogo independente para o mercado nascente de aplicativos para iPhone, aparelho lanado cerca de um ano antes. Corre a histria de que o passarinho vermelho sem asas que  o personagem central do Angry Birds homenageia o dod, pssaro extinto de uma ilha do ndico. A verdade  mais prosaica. O desenho havia sido feito por um dos designers da Rovio. Todo mundo o achava fofo e ele foi usado para ilustrar a dinmica de um jogo em que se usavam os dedos para "disparar" um objeto numa tela sensvel ao toque. Uma vez na tela, o bichinho se recusou a ir embora. 
     Ao contrrio dos jogos para computador e console, com enredos intricados e programao pesada, um game para celular tem de ser muito simples e leve. Na hiptese  cada vez mais remota  de que voc nunca tenha visto ao menos um colega de trabalho ou amigo do filho entretido com o jogo, a premissa do Angry Birds  imutvel. Os pssaros esto em guerra com os prfidos porcos verdes. "Por qu? Ora, porque eles querem roubar seus ovos", diz Peter Vesterbacka, num tom compenetrado. Os porcos tm fortalezas, que podem ser feitas de tbuas, blocos de concreto, cubos de gelo ou algum material extico. Lanados com um estilingue, os passarinhos explodem, incham como bales ou ganham acelerao no voo: o desafio  estabelecer a trajetria e encontrar o ponto vulnervel no Q.G. dos inimigos. A cada poucos meses saem novas verses, com cenrios e elementos diferentes, como um campo gravitacional que pode afetar o voo dos pssaros. To pueril... e to viciante. Outra histria sobre o nascimento do jogo  confirmada pela Rovio. Ela fala de como o Natal de Niklas Hed foi estragado pelos angry birds: hipnotizada pelo prottipo que entrava em teste, sua me esqueceu o peru no forno. 
     Por quatro dcadas o mundo dos jogos se dividiu entre os consoles e os computadores. A Rovio  cone da transformao por que passa essa indstria  uma indstria robusta, que, na comparao frequentemente citada, fatura tanto quanto o cinema de Hollywood. Segundo a consultoria britnica PricewaterhouseCoopers (PwC), os games movimentaro cerca de 83 bilhes de dlares em todo o mundo at 2016. Mais de um tero desse montante   cerca de 36%  vir dos "mobile games", ou seja, do segmento que a Rovio ajudou a desbravar e consolidar. Outros dados corroboram essa projeo. Um levantamento da Entertainment Software Association, entidade americana que congrega os principais fabricantes de jogos, mostra que, nos Estados Unidos, 38% dos jogadores usam seu smanphone para a diverso, enquanto 26% escolhem um tablet. Diante dos fatos, a Nintendo foi a primeira fabricante de consoles a se mexer. Em novembro de 2012, a companhia japonesa lanou o Wii U, cujo controle tem funes de toque como os tablets. Neste ano, a Sony lanar o PlayStation 4 e a Microsoft, o novo Xbox. A promessa de ambas  oferecer sistemas mais "intuitivos" aos aficionados. 
     O desempenho da Rovio inspirou outras startups. Impulsionados pelo Angry Birds surgiram games como Cut the Rope, da empresa russa ZeptoLab, Clash of Clans, da tambm finlandesa Supercell, e, mais recentemente, Candy Crush Saga, da britnica King. Mesmo empresas experientes do setor de jogos mveis, como a francesa Gameloft, beneficiaram-se da popularidade dos pssaros zangados. A srie Asphalt, por exemplo, j foi baixada mais de 60 milhes de vezes. O mesmo acontece com as veteranas. A Electronic Arts criou uma diviso cujo objetivo  levar para as plataformas mveis seus famosos jogos de consoles e PCs, como Fifa e The Sims. E a Disney? Segundo Peter Vesterbacka, o gigante americano do entretenimento  a inspirao confessa da Rovio, pois h dcadas ela descobriu como transformar personagens de desenho animado em fonte de lucro por meio de criaes conexas e licenciamentos. Atualmente, ela faz o mesmo com o crocodilo Swampy, do jogo para celular Where's My Water?. Ele j est em dezenas de produtos e , inclusive, atrao nos parques de diverses da Disney. Sim, a Disney criou e aperfeioou a estratgia h tempos. Mas, nesse nicho especfico, o ovo dos angry birds vingou primeiro.

TEMPO DE DECOLAGEM
O mercado dos games de maior sucesso para consoles, PCs e aparelhos mveis, desde o lanamento at hoje.
Angry Birds - Smartphones, tablete e desktops  Rovio: 3 anos; 1,7 bilho de downloads
The Sims - Desktops e consoles - Electronic Atts: 13 anos; 150 milhes de unidades vendidas
Mrio - Consoles e portteis  Nintendo: 32 anos; 283 milhes de unidades vendidas

"O HOMEM  UM JOGADOR POR NATUREZA"
Peter Vesterbacka, finlands de 45 anos,  o grande responsvel por transformar os pssaros mal-humorados em uma marca global. Ele visita o Brasil nesta semana para falar com parceiros e anunciar novos acordos. Da sede da Rovio, em Espoo, na Finlndia, o diretor de marketing, que carrega em seu carto de visita o apelido guia Poderosa, conversou com VEJA.

Quanto ainda vai crescer a indstria dos games? 
Eu acredito que os games esto se movendo para o centro da indstria de entretenimento. Marcas como Angry Birds daro origem a filmes, livros, msicas e sries de TV. Serviro at mesmo de inspirao para outros segmentos, como esporte e vesturio. Essa, ao menos,  a viso da Rovio. No somos mais apenas uma desenvolvedora de jogos, eles so nosso ponto de partida.

Como se faz um bom game para celular?
No vou lhe dar a receita! Digo apenas que  imprescindvel que o game tenha humor e apresente um desafio que entretenha o jogador, mas no o faa sentir-se punido ao falhar.

No clssico Homo Ludens, de 1938, o historiador holands Johan Huizinga diz: " no jogo e pelo jogo que a civilizao surge e se desenvolve". O que acha dessa afirmao? 
Estou de acordo com ela. O homem  um jogador por natureza. E acredito que jogar  parte fundamental de qualquer processo de aprendizado.  uma atividade que engaja todas as nossas faculdades, nos faz imergir num assunto ou num desafio, e por isso favorece a educao.

A Rovio tem projetos educacionais? 
Produzimos contedo de apoio para contribuir para o processo de modernizao da educao na Finlndia. Nosso material, por ora,  focado no ensino da astronomia, e o principal objetivo  transformar o assunto em algo divertido e que desperte o interesse das crianas. Trabalhamos com parceiros especializados em educao, utilizamos o Angry Birds Space no ensino e mantemos contato prximo com pesquisadores e autoridades do governo para adequar nosso material s necessidades dos alunos.

Em seu perfil do Linkedin, o senhor diz que quer mudar o mundo. Como pretende fazer isso? 
A educao  a forma mais poderosa de transformao. Aliada a ela, a tecnologia amplifica as mudanas. Tenho um interesse profundo nessas duas coisas e naquilo que pode resultar do casamento de ambas.

O futuro  dos dispositivos mveis? 
Est em voga a ideia de que tablets e celulares so a "segunda tela", aquela pela qual as pessoas comentam aquilo que viram na televiso. Bem, a julgar pelo comportamento dos meus filhos de 8 e 9 anos, eu diria que o tablet j  a primeira tela. Eles o utilizam para consumir games e vdeos. Claro que a televiso ainda  importante, mas como plataforma alternativa. Ento, creio que a resposta  sua pergunta  afirmativa.

O Brasil representa um mercado estratgico para a Rovio? 
 um mercado muito interessante, e a parceria que fizemos com os produtores do filme Rio - que resultou no game Angry Birds Rio  nos mostrou todo o potencial do Brasil. A economia est crescendo e h muitas oportunidades para companhias como a nossa. A Copa do Mundo e a Olimpada fizeram com que o pas entrasse no nosso mapa de negcios. O Brasil j  a segunda maior comunidade do Facebook, e isso nos inspira a apostar a.


4. PERFIL  MODA SHOW DE BOLA
Alm de David Beckham, Lionel Messi e trs equipes do futebol europeu, os italianos Dolce e Gabbana sonham em aumentar o placar vestindo tambm a seleo brasileira. 
MRIO MENDES 

     Pode-se dizer que, na moda italiana, Giorgio Armani representa o minimalismo chic. Gucci, o refinamento e a tradio. Prada, a excentricidade com pretenses artsticas, e Versace, os excessos da dolce vita. Os estilistas Domenico Dolce e Stefano Gabbana at concordam com o cenrio, mas declaram no se enxergar nesse grupo. "Se  para ser classificado, eu diria que Dolce & Gabbana  a verdadeira grife italiana", afirma, categrico, Dolce, o senhor calvo e mais baixo da dupla, para quem o senso de elegncia das roupas que cria com seu parceiro e a imagem famiglia de suas campanhas publicitrias  nas quais grupos em confraternizao domstica so um tema recorrente  asseguram essa legitimidade. "A famlia  um timo smbolo de comunicao: transmite a ideia de confiana, segurana e conforto", completa Gabbana. Para ele, no s a famlia, mas tambm a elegncia,  uma instituio italiana. "Ns, italianos, crescemos olhando para Veneza, Florena, Roma. Como no ser elegante?", indaga, com esnobismo revestido de terna simplicidade. 
     Nas pouco mais de 24 horas em que estiveram em So Paulo na semana passada, para a inaugurao de sua primeira loja no pas e na Amrica Latina  818 metros quadrados em um dos shoppings de luxo da cidade , os senhores Dolce e Gabbana no viram muito do Brasil. No entanto, garantem que possuem uma grande clientela nativa que consome seus produtos durante viagens ao exterior. Por isso, tm as expectativas mais otimistas para o negcio, sobretudo no segmento masculino. "At dez anos atrs, os homens tinham medo de comprar roupas em lojas de grife. Na verdade, tinham medo at de entrar em uma", diz Gabbana. Se hoje se constata uma considervel mudana na relao dos homens com a moda, ela se deve, de acordo com o estilista,  influncia dos jogadores de futebol. "Por serem heris populares e smbolos de virilidade, eles deram aos fs o aval para usar sem medo no apenas roupas de grife, mas tambm diferentes cortes e cores de cabelo e brilhantes nas orelhas  e at para se submeter a tratamentos de beleza", teoriza Gabbana. Ternos de silhueta esguia de tecidos nobres e confortveis, camisas ajustadas ao corpo e gravatas finas, de preferncia em tons escuros, so o cardpio que a marca oferece aos atletas e que caiu tambm no gosto dos clientes menos clebres. 
     Sustenta a dupla que o agente decisivo dessa guinada foi o ingls David Beckham, hoje conhecido como o metrossexual por excelncia. O meia que nos anos 90 e incio dos 2000 tornou o Manchester United invencvel tinha o hbito de ir toda semana a uma das lojas da marca em Londres comprar mimos para sua mulher, a ex-spice girl e fashionista emrita Victoria. Certo dia, Beckham se animou: telefonou para a dupla e pediu que fosse criado algo especialmente para ele. "Comeamos com um terno e camisas para Beckham, e, a partir desse momento, passamos a nos comunicar de maneira muito mais eficaz com os homens", conta Dolce, que, alm de expert em alfaiataria,  fantico por futebol. Outros jogadores comearam a se vestir com os estilistas  inclusive o brasileiro Leonardo, atual diretor do Paris Saint-Germain, que eles consideram um dos homens mais elegantes do momento, e que se habituou pouco a pouco  nova ordem fashion. Diz Dolce que, em uma de suas primeiras idas  loja da marca em Milo, Leonardo se assustou com a oferta de um par de sapatos de couro brilhante. "Hoje ele os usa tranquilamente", garante o estilista. 
     O bom relacionamento com os atletas abriu para a dupla portas antes bem fechadas. A partir de 2004, eles passaram a vestir os jogadores do Milan fora de campo. Dois anos depois, estabeleceram uma colaborao com a seleo italiana  que a entidade define como "uma unio entre disciplina, classe e elegncia". Assinam tambm o guarda-roupa do time ingls Chelsea e, em janeiro deste ano, marcaram um ponto e tanto para o Barcelona: o terno com palet de bolinhas e gravata-borboleta no mesmo padro usado pelo argentino Lionel Messi para receber da Fifa o ttulo de jogador do ano foi quase to comentado quanto o prmio em si. "Agora queremos fazer o mesmo com a seleo brasileira, mas estamos h dois anos falando com vrias pessoas e nunca recebemos resposta", reclama Gabbana. Ele e Dolce adorariam vestir Kak, Alexandre Pato e, sobretudo, Neymar. Esse ltimo, "cheio de estilo", Dolce tem acompanhado atentamente desde o incio da carreira. Arrisca dizer que no v com bons olhos sua transferncia para o futebol europeu porque teme que ele repita a trajetria de Robinho. "Ele era timo quando chegou, mas hoje  uma decepo", opina. 
     Domenico Dolce nasceu na Siclia e tem 54 anos, Stefano Gabbana  milans e tem 50 anos. Os dois se conheceram na dcada de 80, viveram um romance e abriram sua empresa em 1985  a partir do negcio do pai de Dolce, que era alfaiate. Desde o princpio, o estilo da marca, que ento era dirigida apenas ao pblico feminino, se mostrou marcante na alta alfaiataria de caimento perfeito (a especialidade de Dolce) e no romantismo exuberante de bordados, estampas vistosas e transparncias (esses ltimos itens, providenciados por Gabbana). O sucesso da marca coincidiu com a exploso nas passarelas do estilo milans capitaneado pelo sisudo Giorgio Armani e tambm com a extravagncia de Gianni Versace em seus desfiles-shows transbordantes de celebridades na plateia (Versace, morto em 1997, praticamente inventou o status da primeira fila), com a ressurreio da moribunda Gucci pelo americano Tom Ford e com a mistura at ento indita de belo, chic e mau gosto elaborada por Miuccia Prada. Um momento, enfim, de singular fecundidade na moda italiana. 
     Impulsionados pela prpria criatividade e por essa onda, Dolce e Gabbana caram nas graas de celebridades como a atriz e modelo Isabella Rossellini, as top models Linda Evangelista e Naomi Campbell e, claro, a superstar Madonna. Foi ela que, em 1993, ao encomendar  dupla os figurinos de sua turn The Girlie Show, colocou a grife em um novo patamar. "Nossa primeira prova de roupa foi um desastre", diverte-se Gabbana. As peas apresentadas  cantora restringiam os movimentos dos bailarinos, no sobreviviam intactas a um nmero de dana e eram todas confeccionadas com cores e estampas discretas, que, num espetculo para ser visto de longe, ficariam invisveis. "Madonna mandou refazer tudo. E nos ensinou muito", diz Dolce. 
     Hoje Dolce & Gabbana  um negcio em escala global que inclui lojas em vrias cidades do mundo, licenciamentos, parcerias e uma linha de perfumes que torna a marca conhecida at entre quem no faz a menor ideia de que cara tm as roupas produzidas pela grife. Durante algum tempo, a dupla manteve ainda uma segunda marca, a D&G, popular entre os jovens por seus preos mais acessveis. Recentemente, porm, ela foi desativada, para que os investimentos se concentrassem no segmento da alta-costura. "A verdadeira moda no  democrtica. Ela tem de ser exclusiva. Por isso Chanel nunca teve uma segunda marca", diz Gabbana. "A extrema popularizao da moda est matando a criatividade", ecoa Dolce. 
     A dupla viveu como um casal at 2002  e, depois da separao, decidiu manter a parceria comercial. Explica Gabbana: "As pessoas no matam os filhos quando se divorciam". Pouco antes da viagem ao Brasil, Dolce e Gabbana foram manchete por terem sido condenados pela Justia italiana a restituir cerca de 343 milhes de euros aos cofres pblicos, por evaso fiscal. Eles j entraram com um recurso, e Dolce limita-se a dizer o de praxe nessas situaes: "No fizemos nada errado, e esperamos que a justia seja feita". 
     Justia seja feita tambm ao estilo feminino da marca, cuja prxima campanha publicitria, para o outono-inverno 2014, ser estrelada mais uma vez pela atriz Monica Bellucci, amiga e musa oficial da casa. "Monica est conosco desde o comeo. Crescemos juntos, e ela representa nosso ideal de mulher, que  doce e sensual  e no sexy, um termo que achamos agressivo", afirma Gabbana. Diga ele o que quiser,  inegvel o apelo sexual das campanhas da grife, que mostram mulheres ora vestidas como as voluptuosas divas do cinema italiano (Sophia Loren, Claudia Cardinale, Virna Lisi), ora como sinuosas vivas sicilianas munidas de crucifixos e decotes: o imaginrio religioso  uma caracterstica forte do trabalho da dupla, que, segundo Dolce, se deve ao fato de ser ele um catlico que leva a f a srio e vai  missa toda semana. Menos devoto, Gabbana diz que tem, entretanto, apreciado a humildade do papa Francisco: "Pelo menos at agora ele no precisou de sapatos vermelhos para chamar a ateno dos fiis", alfineta, em referncia aos mocassins  que diziam ser Prada  usados pelo papa Bento XVI. A moda, afinal, tambm tem seus pecados capitais. 

BOM DESEMPENHO FORA DE CAMPO
Segundo Dolce e Gabbana, os homens nunca mais foram os mesmos depois que os jogadores de futebol tomaram gosto pela moda.

NEYMAR tem muito estilo. Adoraramos vesti-lo, e tambm a Kak e Pato. Alis, h dois anos tentamos trabalhar com a seleo brasileira, mas ningum nos d uma resposta.

DAVID BECKHAM costumava ir a nossa loja comprar coisas para sua mulher, Victoria. Depois que comeamos a desenhar roupas especialmente para ele, passamos a nos comunicar muito melhor com a clientela masculina.

Na primeira vez em que LEONARDO foi a nossa loja em Milo, ele se assustou e recusou um par de  sapatos de couro brilhante. Hoje ele os usa tranquilamente.

MESSI  incrvel, muito simples e muito elegante  o terno Dolce & Gabbana de bolinhas que ele vestiu para receber o trofu da Fifa, em janeiro, foi quase to falado quanto o prprio prmio.


5. CELULAR  O 4G PASSOU NO TESTE
O novo sistema ultrarrpido de telefonia mvel comea agora a ser instalado nas maiores cidades. Poucos brasileiros podero t-lo: ele custa caro e no estar disponvel em todo o pas.
VICTOR CAPUTO

A implantao no Brasil da quarta gerao da telefonia mvel, o 4G, comea para valer no fim deste ms. O sistema ser instalado primeiramente nas cidades-sede da Copa das Confederaes. Em dezembro, ser a vez das cidades-sede da Copa do Mundo. At agora, o 4G s estava disponvel em operao experimental em seis cidades-piloto. At o fim deste ano, vinte em cada 100 brasileiros tero a opo de aderir a um sistema de telefonia muitssimo superior ao atual. Na ltima dcada, o smartphone e o 3G revolucionaram o acesso  internet e o uso do celular. Com os smartphones e, em especial, o iPhone, a telefonia mvel rompeu o limite das ligaes de voz e passou a ser mais usada para acessar a internet. O 3G, em operao comercial desde 1998, ofereceu as condies para conexo remota com a web. Mas tem limitaes irritantes. Sua lentido no permite o trfego de arquivos pesados.  impossvel assistir a filmes em alta resoluo em smartphones ou tablets. O 4G, que multiplica por dez a velocidade de uma conexo mvel, chega a superar a velocidade da internet a cabo padro nas residncias. Em seu caso, as limitaes so de outra ordem:  caro para o consumidor e, pelo cronograma de instalao, por muito tempo s estar disponvel numa frao do territrio brasileiro. A seguir, as respostas s dvidas mais frequentes sobre o 4G. 

QUANDO PODEREI TER O 4G? 
At 2014, o sistema s estar disponvel em quinze cidades (veja o quadro acima). Quatro operadoras adquiriram concesses no leilo de 2,9 bilhes de reais realizado em junho de 2012. At agora, apenas a Claro testou a rede em seis cidades-piloto, com 5000 clientes. A partir de 30 de abril, a Oi, a Tim e a Vivo oferecero planos de conexo em mais cinco cidades. No fim do ano, a rede 4G chegar a outras quatro metrpoles, entre elas So Paulo. 

ELE MUDA MINHA VIDA? 
O 4G permite assistir a filmes em alta resoluo, por streaming, do YouTube e de servios como o Netflix em smartphones ou tablets. Streaming  o sistema pelo qual os arquivos rodam imediatamente na internet, sem a necessidade de baix-los. Entrar em sites leva milsimos de segundo. 

POSSO ENTO CANCELAR A INTERNET DE CASA? 
No teste feito por VEJA em Campos do Jordo, uma das cidades-piloto que contam com a cobertura, o 4G atingiu a velocidade de 47 megabites por segundo, suficiente para baixar uma msica digital em um segundo.  melhor que a internet a cabo padro de 10 megabites por segundo existente na maioria das casas. No futuro, infelizmente, a qualidade tende a cair. A transmisso de dados da telefonia funciona como uma estrada. Quanto maior a quantidade de carros na rodovia, menor  a velocidade do trfego. Ou seja,  medida que o nmero de pessoas conectadas ao 4G aumentar, maior ser o congestionamento de dados e menor a velocidade do servio. Estima-se que o desempenho caia para um tero do atual j no prximo dia 30, com a ampliao do sistema. Isso no chega a as-  sustar, pois, ainda assim, o 4G oferecer velocidade superior  disponvel hoje pela internet fixa mais popular. Alis, a web via cabo tambm evolui. J existe no Brasil um servio com velocidade superior  do 4G, mas ele custa o dobro do preo de um plano 4G. No futuro, o Fiber, do Google, em fase de testes nos Estados Unidos, dever oferecer internet fixa com velocidade de 1 gigabite, vinte vezes mais eficiente que o 4G. 

EM UMA CIDADE SEM 4G, O CELULAR FICA SEM INTERNET? 
No. O sistema troca automaticamente para 3G. 

POR QUE O 4G  TO CARO? 
A tecnologia  nova, e o preo alto decorre das despesas com desenvolvimento e instalao. Em geral, os preos caem  medida que o nmero de consumidores aumenta e os investimentos iniciais tenham sido recompensados. No incio, um pacote de servios 4G custar dezesseis vezes mais que um 3G. Alm dos 2,9 bilhes de reais investidos na compra da concesso para operar a rede, estima-se que cada uma das empresas deve gastar at 6 bilhes de reais at 2014 para instalar antenas. 

SER PRECISO TROCAR O CELULAR? 
Sim. O 4G demanda aparelhos adaptados, mais caros que os com 3G. Como o Brasil no adotou o padro internacional de transmisso de dados, a oferta inicial  de apenas cinco smartphones (veja a lista completa acima). No ser possvel usar o iPhone nem o iPad. Alis, ainda no h nenhum tablet habilitado. 

POR QUE O BRASIL ADOTOU UM PADRO POUCO COMUM? 
As informaes de smartphones so enviadas por ondas de rdio, que operam em determinadas frequncias. A Unio Internacional de Telecomunicao, agncia da ONU, recomenda a frequncia de 700 mega-hertz para o 4G. "No Brasil, essa faixa est ocupada com a transmisso da televiso analgica", explica o engenheiro Marcelo Zuffo, da Universidade de So Paulo. "O pas precisou optar pela de 2500 mega-hertz, que oferece pior cobertura e necessita de maiores investimentos para ser instalada." A faixa de 700 mega-hertz ter de ser desocupada at 2018. A o Brasil entrar no padro internacional. 

 MELHOR ESPERAR PELO 5G? 
Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, explica: "O sistema atual dever evoluir para o que  conhecido como 4G+, pouco diferente do 4G. Ainda no se sabe quando haver o 5G". 

     O 4G chegou ao Brasil com uma lacuna de trs anos em relao ao comeo das operaes nos Estados Unidos.  um intervalo curto se comparado aos seis anos de demora do 3G ou aos dezessete anos que levou o celular. A primeira ligao telefnica feita de um aparelho mvel completou quarenta anos. Em 3 de abril de 1973, o americano Martin Cooper usou o prottipo do primeiro modelo de celular de sua empresa, a Motorola, para ligar para o telefone fixo de um engenheiro de uma concorrente. Em tom de desafio, ele disse: "Ligo de um telefone porttil que posso carregar para qualquer lugar". No Brasil, a primeira ligao ocorreu em 1990. Foi uma conversa encenada entre dois ministros: Ozires Silva, da Infraestrutura, e Jarbas Passarinho, da Justia. O primeiro celular a navegar na web foi o Nokia 9000 Communicator, em 1996. Baixar um arquivo da rede naquele smartphone rudimentar demorava horas. Com a chegada do 4G, a simbiose torna-se perfeita e nosso acesso ao mundo digital muda definitivamente. Na opinio do americano Charles Golvin, especialista em telecomunicaes da consultoria Forrester, "o 4G d incio a um novo momento da tecnologia mvel, em que h a possibilidade indita de trocar instantaneamente qualquer tipo de informao digital". 

A LENTA INSTALAO DA REDE
O cronograma de implantao do sistema 4G

POPULAO COM ACESSO AO SISTEMA (% DO TOTAL)
Hoje: 2,5%. Cidades que j tm 4G: Porto Alegre; Curitiba; Paraty; Campos do Jordo; Bzios; Recife.
REA ABRANGIDA (% DO TERRITRIO NACIONAL): 0,03%;

Em 30 de abril: 11%. Cidades-sede da Copa das Confederaes: Rio de Janeiro; Belo Horizonte; Braslia; Salvador; Fortaleza.
REA ABRANGIDA (% DO TERRITRIO NACIONAL): 0,12%;

Em dezembro de 2013: 18,5%. Cidades-sede da Copa do Mundo. So Paulo; Cuiab; Manaus; Natal.
REA ABRANGIDA (% DO TERRITRIO NACIONAL): 0,32%;

Em 2015: Incio da expanso por todo o territrio brasileiro. No h um cronograma de instalao por cidade nem previso de quando a cobertura atingir todo o pas.

PORQUE DEMORA TANTO
1- A rede 4G precisa de seis vezes mais antenas do que a 3G
2- A construo de cada antena depende de autorizao municipal, uma negociao de meses
3- H a dificuldade em obter licena para instalar antenas em reas de preservao ambiental
4- Frequncias hoje utilizadas pela TV analgica precisam ser liberadas para uso da 4G.

Fontes: Eduardo Tude, presidente da Teleco, e Joo Moura, presidente da TelComp

PECULIARIDADES DO NOSSO 4G 
O Brasil optou por uma frequncia de transmisso diferente do padro indicado pela Unio Internacional de Telecomunicaes. Isso tem desvantagens para o usurio.
 Falta de aparelhos: Os smartphones e tablets so projetados para a frequncia americana ou para a asitica e precisam ser adaptados para uso no Brasil
 No  universal: Grande parte dos dispositivos comprados no exterior no funciona com o 4G brasileiro. Na Copa do Mundo, os visitantes estrangeiros precisaro comprar aparelhos brasileiros se quiserem usar o 4G
 Cobertura: A eficincia da faixa de transmisso de dados na web escolhida pelo Brasil est abaixo da recomendada pelo padro internacional. Resultado: a qualidade da cobertura no  das melhores.

O SUPERSNICO DA TELEFONIA
VEJA comparou o 4G com o 3G, em teste feito em Campos do Jordo, no interior de So Paulo, com um smartphone Galaxy S III. A evoluo equivale a trocar um avio monomotor pelo mais rpido caa militar: a velocidade  dez vezes maior.

QUANTO DEMORA...
...para baixar um filme em alta resoluo de 20 minutos de durao
3G 28 minutos
4G 1 minuto

...para enviar um e-mail pesado, de 70 megabytes
3G 14 minutos e 32 segundos
4G 40 segundos

Qualidade da cobertura
3G: 59 milhes de brasileiros acessam o 3G todos os dias, o que congestiona o trfego de dados pela rede, sobrecarregando-a.
4G: Por ser mais cara, ter menos usurios e a quantidade de informaes trafegadas ser menor, o que d estabilidade  velocidade da rede.

Quanto custa
3G: Os planos custam a partir de 12 reais mensais
4G: O preo comea em 194 reais por ms

COM REPORTAGEM DE HENRIQUE CARNEIRO


6. CIDADES  PARADA NO TEMPO
Murici, a cidade onde a famlia do senador Renan Calheiros se reveza no poder,  privilegiada em verbas federais, mas boa parte da populao ainda vive na misria.
GABRIELE JIMENEZ

     Municpio de 27.000 habitantes situado a 50 quilmetros de Macei, Murici frequenta com certa assiduidade o noticirio nacional por trs motivos  todos lamentveis: inundaes devastadoras, escndalos de desvio de dinheiro pblico e o fato de sempre ter na prefeitura, em esquema de revezamento, polticos de sobrenome Calheiros. A famlia domina h mais de trinta anos (21 deles ininterruptos) a administrao municipal, muito embora seu filho mais famoso, o presidente do Senado, Renan Calheiros, 57 anos, s aparea por l em campanha ou em dia de inaugurao. Chafurdado em alguns dos piores indicadores socioeconmicos do Brasil  at mesmo para os padres alagoanos , Murici  o resultado da velha poltica assistencialista, cujas razes remontam ao coronelismo. Um tero dos moradores no sabe ler nem escrever, 65% dependem do Bolsa Famlia para sobreviver e o ndice de Desenvolvimento Humano rasteja em 0,58 (numa escala que vai de 0 a 1). Uma das maiores escolas pblicas muricienses, com 560 alunos, funciona em salas de cho de terra separadas por tapumes. As crianas saem uma hora mais cedo porque a escola no oferece merenda. O problema no parece ser, nesse caso, de misria. Um processo que aponta irregularidades nas verbas de merenda na cidade j chegou ao Supremo Tribunal Federal. 
     O assunto que alvoroa os moradores  o destino de mais de 2000 casas construdas com verba federal de 95 milhes de reais. Na teoria, seriam destinadas s famlias desalojadas na enchente de 2010, que deixou quase 10.000 desabrigados e nove mortos. Na prtica, no tem sido assim. As casas esto prontas: so dois conjuntos habitacionais novinhos, o Olavo Calheiros  patriarca do cl e primeiro a fincar p no poder, ao assumir a prefeitura, em 1980  e o Pedro Raposo Tenrio, de famlia aliada poltica dos Calheiros. A maioria desses imveis foi distribuda segundo critrios duvidosos, que quase sempre privilegiam os mais prximos do poder. O Ministrio Pblico Federal determinou  prefeitura que refaa a lista de cadastrados levando em conta critrios menos clientelistas. 
     A desabrigada Maria Benedita Francisca da Silva, 69 anos, perdeu tudo na enchente e continua sem teto. "Passei um ano e meio morando numa barraca de lona da prefeitura. At hoje no recebi a casa que me prometeram", diz ela, hoje vivendo com onze familiares em um puxadinho erguido no quintal da casa da filha. Claudivan Maurcio de Souza, o Lobinho  integrante do rol dos que fazem parte do squito oficial , no tem motivo de queixa. Funcionrio da prefeitura e notrio adulador do prefeito Remi Calheiros, irmo  de Renan, Lobinho j mora no conjunto Olavo Carneiros. A escritura est em nome de sua mulher, Poliana da Silva Torres, que ainda era solteira e morava em Minas Gerais quando o Rio Munda transbordou e inundou Murici. Interpelada pela reportagem de VEJA na porta da casa nova, Poliana ligou para Lobinho: "O que eu digo se perguntarem se a sua casa foi mesmo atingida pela enchente?". A orientao dele foi responder que sim, foi. Mais tarde, ouvido por VEJA, o funcionrio relativizaria o estrago: "No perdi quase nada", admitiu. No local em que morava, a gua chegou no mximo "aos ps da cama e ao fundo de um armrio velho". Por que ento entrou na lista de beneficiados? "Bom, entrou gua, n?" 
     Com seus 1200 funcionrios, a prefeitura  o maior cabide de empregos de Murici. Quem no trabalha l ou no pequeno comrcio local depende do poder pblico  ou seja, da boa vontade dos Calheiros  para pr comida na mesa. Moradora da favela Portelinha, Veroneide da Silva, 25 anos, vive com os trs filhos em um dos barracos que a prefeitura fornece. O piso  de terra e o banheiro  o mesmo rio onde ela e outras 400 famlias lavam roupa e recolhem gua para cozinhar. "No acredito mais que possa melhorar de vida", resigna-se Veroneide. Em seu quarto mandato, o prefeito Remi argumenta que "Murici  uma cidade com muitos problemas, mas temos resolvido muitos tambm". Sobre irregularidades na entrega das casas ps-enchente, rebate em tom indignado: "Voc est me contando uma novidade. No coloquei um s nome na lista".
	A pouca disposio do prefeito para discutir sua administrao contrasta com a paixo pelo Murici Futebol Clube, presenteado pela Cmara Municipal com uma mesada de 40.000 reais (repasses que Remi jura nunca terem chegado ao seu time do corao, quinto colocado no ltimo campeonato alagoano). Renan e seu irmo deputado, Olavo, tm negcios e fazendas na regio. A pujana financeira e poltica da famlia  herana do patriarca, major Olavo (a patente  simblica), comerciante de cavalos que levava vida humilde at encontrar o caminho da prefeitura e, a partir dele, a trilha para o poder e a riqueza. Curiosamente, o major foi eleito em nome da renovao, como o homem do povo que derrotou a oligarquia dominante  para em seguida criar seu prprio cl e tudo voltar ao que era antes. 
     Remi tem o sobrinho Olavo Neto como seu vice. A imprescindvel Secretaria de Assistncia Social, que detm o cadastro do Bolsa Famlia, est sob o comando de Soraya, a primeira-dama. As portas do casaro que Remi herdou do pai ficam sempre abertas (s os quartos so trancados), e pessoas humildes circulam por l pedindo todo tipo de favor. Acostumada ao domnio da famlia, acomodada aos seus mtodos, temerosa de perder benefcios, a populao faz o que se espera dela: vota nos Calheiros. At porque, em poca de eleio, ganhar uma nota de 50 reais ou uma cesta bsica faz parte da rotina. O cl no arreda p de Murici nem quando a lei no deixa Remi se reeleger: nessas ocasies, o sobrinho Renan Filho, 33 anos, toma seu lugar. "Quando uma famlia comanda a cidade,  muito comum que a mquina pblica passe a ser usada para atender a interesses particulares", diz o cientista poltico Ranulfo Paranhos. Sobrecarregada de ndices negativos, numa coisa Murici faz bonito: na obteno de verbas federais. Desde 1996, mais de 39 milhes de reais foram aprovados por diversos ministrios para a cidade, em 114 convnios  para efeito de comparao, a vizinha Unio dos Palmares, que tem o dobro de habitantes, firmou 77. Pena que, na hora de repassar recursos, o saneamento bsico seja invariavelmente goleado pelo Murici Futebol Clube.

TRISTE RETRATO
A pobreza impera no municpio de Murici, onde os Calheiros mandam h mais de vinte anos.

IDH
Municpio de Murici: 0,58
Alagoas: 0,633
BRASIL: 0,718

RENDA PER CAPITA (em reais)
Municpio de Murici: 3901
Alagoas: 7874
BRASIL: 22.402

ANALFABETISMO
Municpio de Murici: 30,6%
Alagoas: 21,8%
BRASIL: 8,6%


7. CULTURA  GUARDIO DA BRASILIDADE NA AMRICA
Thomas Cohen, historiador americanoapaixonado pelos sermes do padre Vieira, imps-se a misso de exibir, com dignidade e elegncia, a nica biblioteca dedicada s coisas do Brasil nos EUA.
ANDR PETRY, De WASHINGTON

     Na primeira vez em que esteve no Brasil, o historiador Thomas Cohen no estava entendendo nada. Logo ao chegar, tinha um encontro com um renomado professor de histria da Universidade de So Paulo. O professor chegou uma hora e meia atrasado e anunciou que precisava viajar em seguida. Convidou o jovem Cohen, ento com 25 anos, para acompanh-lo  cidade de Franca, onde passaria o fim de semana dando palestras. Cohen pensou que o professor fizera o convite apenas para compens-lo pelo desencontro e, polidamente, recusou. "S depois descobri que os brasileiros so assim mesmo, disponveis, espontneos", diz. Cohen acabou encantando-se com a informalidade dos intelectuais brasileiros, e hoje, passados trinta anos, entende muito do Brasil. J visitou o pas dezenas de vezes,  fluente em portugus, especialista na obra do padre Antnio Vieira (1608-1697) e guardio de uma preciosidade: a nica biblioteca dedicada exclusivamente s coisas do Brasil e de Portugal em solo americano  a The Oliveira Lima Library. 
 um estupendo acervo de 60.000 itens. So livros raros, pinturas, gravuras, esculturas, fotografias, recortes de jornais, mapas e manuscritos, a maior parte recolhida pelo historiador e diplomata pernambucano Manoel de Oliveira Lima (1867-1928) durante quatro dcadas de andanas pelo mundo.  uma coleo exuberante sobre o Brasil colonial e imperial. Corpulento, bigodudo e expansivo. Oliveira Lima registrava tudo com esprito de missivista protestante. Guardava at cardpio de jantar e dava-se  mincia de desenhar, no verso, a posio dos convivas  mesa. Assim, obsessivo, foi formando um acervo cuja importncia rivaliza com a dos 40.000 volumes que o biblifilo Jos Mindlin deixou para a Universidade de So Paulo. Doze anos antes de morrer, em desavena com o governo brasileiro e particularmente com os bares do Itamaraty, Oliveira Lima doou sua coleo  Universidade Catlica da Amrica, com sede em Washington, onde os livros esto at hoje. Agora, esse acervo comea a ser vtima de sua prpria importncia  e da projeo internacional do Brasil.
     Distribuda em quatro salas no subsolo da biblioteca da universidade, a coleo ficou maior que o espao. Parte do material est exposta, parte est encaixotada. H quadros pendurados por todas as paredes, subindo at o teto, alguns enfileirados entre prateleiras atulhadas de livros. Como o acervo cresceu de 40.000 para 60.000 itens no decorrer dos anos, falta lugar para receber os interessados  e eles no param de se multiplicar. "Com a ascenso do Brasil no cenrio mundial, a demanda por estudos do Brasil e da lngua portuguesa vem aumentando dramaticamente", diz Cohen, que tem planos ambiciosos para o futuro. Batendo de porta em porta, ele quer arrecadar 10 milhes de dlares para trocar o subsolo da biblioteca pelo amplo e elegante 1 andar. "A reitoria j aceitou o projeto. Agora,  preciso levantar o dinheiro", diz. No 1 andar, entre janelas do tamanho de vitrais gticos e um enorme p-direito, o local vai abrigar, com a dignidade merecida, o acervo da Oliveira Lima, um museu de arte brasileira e portuguesa e um centro de estudos, alm de oferecer espao para exposies, performances e exibio de filmes. 
     Com uma casa mais nobre, a Oliveira Lima poder trazer de volta uma de suas pecas mais valiosas  uma paisagem de Pernambuco pintada pelo holands Frans Post , que foi cedida  National Gallery of Art, em Washington, onde serve melhor ao pblico. H maravilhas no acervo, como a edio de 1507 que noticia as descobertas no Novo Mundo e traz o Relato do Piloto Annimo, a primeira narrativa da chegada de Pedro lvares Cabral ao que viria a ser conhecido como Brasil. H o esplndido livro do holands Gaspar Barleus, escrito em latim, sobre o governo de Maurcio de Nassau no Nordeste. Barleus foi aquele telogo que, tentando explicar a lassido moral do Brasil colonial, cunhou um inesquecvel aforismo em latim  ultra aequinoctialem non peccavi  que o historiador Srgio Buarque de Holanda citou em Razes do Brasil e seu filho, Chico Buarque, popularizou ao traduzi-lo numa cano como "no existe pecado do lado de baixo do Equador". Entre os manuscritos est a vasta correspondncia de Oliveira Lima com 1400 missivistas, entre os quais Gilberto Freyre e Machado de Assis (veja o quadro). 
     Esse tesouro  diariamente manipulado pela curadora Maria Angela Leal, americana apesar do nome e dona de um portugus irretocvel. Formada em estudos da Amrica Latina e especializada em literatura brasileira, Maria Angela est mergulhada no passado mas de olho no futuro. Enquanto as bibliotecas no mundo inteiro digitalizam seus acervos para economizar espao, a curadora prefere os planos de promover a Biblioteca Oliveira Lima para os amplos sales do 1 andar a entrar sem cautela na era digital. "Pode ser perigoso, talvez at irresponsvel", alerta. Ela teme que a digitalizao, sendo um suporte menos duradouro que o papel, resulte numa desastrosa perda de memria no futuro. Na dvida, a Oliveira Lima est, por enquanto, abarrotando quatro salas de um subsolo, mas est ali sendo devidamente preservada. Assim, outros que nada entendem do Brasil, como Thomas Cohen aos 25 anos de idade, podem vir a entender muito.

OS PRIMEIROS
A seguir, exemplos de livros da Biblioteca Oliveira Lima cuja marca  algum tipo de pioneirismo
  a primeira representao de um eclipse solar na Amrica do Sul, em 13 de novembro de 1640. Consta do livro do holands Gaspar Barleus, que fez um relato minucioso dos oito anos de governo de Maurcio de Nassau no Nordeste do Brasil.
  o primeiro livro publicado em terras brasileiras - clandestinamente.  de 1747. Relata a chegada do novo bispo do Rio de Janeiro, Antonio do Desterro Malheyro, que passara seis anos como bispo no "reino de Angola.
 Escrito em italiano, o livro fala da descoberta de novas terras no Novo Mundo e traz a primeira narrativa da aventura de Cabral no Brasil. Saiu em 1507. O trecho que conta a descoberta do Brasil  conhecido como "Relato do Piloto Annimo.
 Especula-se que seja o primeiro mapa mostrando o Brasil individualmente. Est no livro de Giovanni Battista Ramusio, escrito em italiano e impresso em Veneza, em 1554.

OS TESOUROS
Entre livros, pinturas, esculturas e manuscritos, alguns dos itens mais importantes da Biblioteca Oliveira Lima
 Detalhe de leo sobre tela do francs Nicolas-Antoine Taunay, retratando o Largo do Machado, no Rio. Pintado entre 1816 e 1821, o quadro  um dos poucos a mostrar os negros em trabalhos dignos, e no sendo brutalizados. 
 O dicionrio de espanhol e guarani que Solano Lpez, presidente do Paraguai, carregava consigo em Cerro Cor, onde travou a batalha final contra as tropas brasileiras, em 1870. Solano Lpez usava o dicionrio para falar com os nativos.
 Livro rarssimo, de 1820, traduzido por um brasileiro degredado, Lus Prates d'Almeida e Albuquerque, e publicado na antiga Bombaim, na ndia. O tradutor morreu vtima de "cobarde assassino" em 1822.
 Carta de Machado de Assis para Oliveira Lima, escrita em abril de 1905. A borda escura indica que Machado de Assis estava de luto, provavelmente pela morte de sua mulher, Carolina, no ano anterior.
 Existem cinco cpias deste busto do imperador dom Pedro I esculpido por Marc Ferrez em 1826. Trs esto no Brasil uma nos Aores e a quinta na Biblioteca Oliveira Lima.  a nica fundida em bronze.


8. GUSTAVO IOSCHPE  DIRETOR DE ESCOLA: O PROTAGONISTA ESQUECIDO
     Quando se fala em educao, logo se pensa em professores e alunos. Cada vez h mais indcios, porm, de que esse foco na sala de aula  o tpico caso em que no conseguimos ver a floresta por estarmos to preocupados com as rvores. Salas de aula no flutuam por a, afinal: o locus do ensino  a escola, uma organizao bastante complexa, que precisa reter bons profissionais, interessar e estimular alunos e agradar a pais e lderes polticos. Quem rege essa orquestra toda  o diretor escolar. 
     Sabemos relativamente pouco sobre ele. Alguns estudos mostram que a maneira como um diretor chega ao cargo  importante: escolas que tm diretor escolhido por processos que envolvem provas seguidas de eleies, ou pelo menos via eleio, tm alunos que aprendem mais do que aquelas em que o diretor  fruto de indicao poltica. Como costuma acontecer no Brasil, privilegiamos o caminho errado: os ltimos dados mostram que 46% dos diretores de nossas escolas chegaram ao posto por indicao de algum. 
     Outro erro que cometemos  imaginar que o diretor  um mero burocrata responsvel por administrar as instalaes fsicas da escola e passar um corretivo nos baderneiros. O bom diretor, porm, faz bem mais do que isso. No livro Organizing Schools for Improvement, os autores definem bem as quatro reas que o gestor escolar deve dominar: capacitao dos professores, criao de um clima propcio ao aprendizado, envolvimento com a famlia e ensino ambicioso, visando ao ingresso na universidade. 
     Alguns desses quesitos so difceis de medir e quantificar. O trabalho de um bom diretor  indireto: assim como se nota o trabalho de um bom tcnico pelo desempenho de seus jogadores, a virtuosidade de um diretor se manifesta pelo trabalho de seus professores. Um bom diretor consegue criar um clima ordeiro e organizado, em que alunos e professores podem dar o seu melhor com o mnimo de interrupes. Pesquisas demonstram que alunos aprendem mais naquelas escolas em que h um clima positivo e onde os professores reconhecem a liderana do seu diretor. Pesquisas internacionais (todas disponveis em twitter.com/gioschpe) comprovam que, quando o diretor tem poder para contratar e demitir professores, os alunos tm desempenho melhor. Outra pesquisa mostra que os diretores tm boa capacidade para prever, antes da contratao, quais sero os professores excelentes e quais os ruins. Faria sentido, portanto, mudar o processo de seleo de professores, que hoje se resume a um concurso pblico que avalia quase tudo  menos a capacidade do sujeito de ensinar um determinado contedo , para um processo que envolva uma entrevista com os bons diretores escolares. 
     O bom diretor escolar  um lder pedaggico, alm de ser um bom gestor. Nas escolas de primeiras sries, h evidncias de que o conhecimento do diretor sobre as matrias ensinadas e sua interveno nas prticas dos professores  especialmente aqueles com dificuldades  melhoram o desempenho dos alunos. Nos anos mais avanados,  impossvel para um diretor dominar todas as reas, de forma que seu impacto precisa ser indireto, mas no por isso ele  menos importante. Pesquisas sugerem, por exemplo, que em aulas de linguagem uma estratgia em que os alunos se engajam atravs de questionamentos e uma postura interativa facilita o aprendizado, enquanto em aulas de matemtica ocorre o oposto: estratgias em que o professor passa mais tempo explicando conceitos, formalizando o conhecimento, tm melhores resultados. O mau diretor acha que cada professor deve fazer o que bem entender. O bom diretor julga que todos precisam de orientao e que a escola deve ter um padro. Por isso  que normalmente no se vem escolas com resultados muito dspares entre sries ou disciplinas. Ainda faltam pesquisas para esmiuar esse fenmeno, mas em minhas andanas por escolas Brasil afora ficam claros dois fatores. Primeiro, os semelhantes se atraem: professor descompromissado procura escola de diretor idem, e bons diretores fazem o possvel para afastar os maus professores e atrair os bons. Uma diretora arretada de escola pblica de Fortaleza me contou que uma de suas professoras tirava licena mdica atrs de licena mdica. Ela tambm trabalhava em uma escola particular, s que a essa comparecia sempre. Quando a professora estava de licena, a diretora ligava para a escola particular e descobria se ela estava trabalhando. Depois de alguns meses em que teve seu comportamento desmascarado, a professora malandra pediu para sair. O segundo mecanismo  atravs do exemplo. Quando um professor sabe que seu diretor est batalhando e que vai cobr-lo, isso  motivador. E vice-versa: visitei uma escola em Goinia em que a diretora resolveu afrouxar as cobranas sobre alunos e professores porque queria se candidatar a vereadora e no convinha antagonizar ningum. Os professores ficaram to desmotivados, e trataram seus alunos com tanta indiferena, que logo a escola saiu do controle: os alunos, enraivecidos, comearam at a riscar o carro de professores. 
     Outra marca do bom gestor escolar  a relao com a comunidade. Em linhas gerais, os bons diretores atraem os pais, trazendo-os para perto da escola. S assim um pai ou me poder monitorar, cobrar e ajudar os filhos. Os maus gestores s se lembram de que os pais existem quando precisam culpar algum pelo insucesso da escola. Eles costumam tratar os pais com menosprezo e distncia: para um pai marcar uma reunio com um diretor desses,  misso impossvel. Bem diferente de uma marca frequente do bom diretor: ele espera pais e alunos no porto da escola, todos os dias, na entrada e na sada.  uma oportunidade de estreitar o contato com os pais, comentar os problemas do dia a dia antes que cresam e simplesmente se colocar  disposio de todos. 
     Ainda estamos longe de desvendar todos os mistrios da boa gesto escolar, mas a pesquisa traz trs achados encorajadores. O primeiro  que, no Brasil, onde a baguna administrativa  generalizada, iniciativas muito simples para pr a casa em ordem tm efeito significativo. Um programa de interveno na gesto das escolas estaduais de So Paulo que se encontravam entre as 5% piores trouxe melhoras no aprendizado dos alunos de at incrveis 40%. Resultados que vm com medidas simples como oferecer mais aulas de reforo, coibir faltas de professores e passar mais tempo visitando e acompanhando as salas de aula. O segundo  que o salrio do diretor est diretamente relacionado com o aprendizado dos alunos, ao contrrio do salrio dos professores.  bem mais barato e eficaz mexer no salrio de diretores (menos de 200.000 pessoas) do que no de professores e funcionrios (mais de 5 milhes). Terceiro, o impacto da gesto escolar  enorme: pesquisas americanas sugerem que um quarto da disparidade de desempenho entre escolas  diretamente atribuvel a diferenas de gesto. Depois das aes dos professores em sala de aula (que respondem por um tero), esse  o quesito mais importante na determinao do sucesso acadmico dos alunos.
GUSTAVO IOSCHPE  economista


